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Parte do Vapor Benjamim Guimarães alaga durante processo de remoção em Pirapora


Embarcação estava sendo retirada das águas do rio São Francisco para o início dos trabalhos de restauração
Por RAFAELA MANSUR
08/11/20 - 15h40
https://www.otempo.com.br/

Empresa está trabalhando na remoção do vapor neste domingo

Foto: Aparício Mansur


A parte traseira do Vapor Benjamim Guimarães sofreu um alagamento e ficou submersa no rio São Francisco, em Pirapora, no Norte de Minas, neste sábado (7), quando a embarcação estava sendo retirada das águas para o início do trabalho de restauração. Construído em 1913, o vapor é patrimônio cultural de Minas Gerais e está desativado há cerca de cinco anos devido a problemas estruturais. Neste domingo (8), equipes da empresa responsável pela recuperação do navio estão atuando novamente na tentativa de remoção. Segundo a companhia, a situação é normal e já era esperada.

De acordo com o gestor ambiental e morador de Pirapora, Aparício Mansur, as máquinas não tiveram força suficiente para puxar a embarcação. "A parte traseira afundou e ficou encostada no fundo do rio", explica. Segundo o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), o vapor pesa 243,42 toneladas. Ele possui 43,85 metros de comprimento total e 7,96 metros de largura.


Com capacidade para transportar até 140 pessoas, a embarcação foi construída pelo estaleiro norte-americano James Rees e Sons e navegou inicialmente no rio Amazonas. Em 1920, foi transferida para o rio São Francisco e, durante décadas, foi o meio de transporte utilizado para levar cargas e passageiros entre Pirapora e Juazeiro, na Bahia. O vapor, que usa lenha como combustível, é um dos últimos no mundo e está desativado desde 2015.

No mês passado, o Iepha anunciou a conclusão do processo licitatório para a contratação da empresa responsável pela recuperação da embarcação, a INC Indústria Naval Catarinense. Os trabalhos vão incluir a recuperação e a substituição das estruturas do casco e em madeira, como pisos, divisórias, esquadrias e escadas. Além disso, serão feitas novas instalações elétricas, hidrossanitárias e de prevenção e combate a incêndio e pânico. O investimento será de R$ 3,7 milhões, recursos viabilizados a partir de convênio firmado entre Estado e União.

Um morador de Pirapora, que não quis se identificar, ressaltou a importância histórica do vapor para a região. "Na época do meu avô, era por onde chegava e saia comida. Foi o ganha-pão de muitas famílias, o valor sentimental é muito grande. Ele também tem um potencial de turismo enorme", disse.

A INC Indústria Naval Catarinense, empresa responsável pela restauração, negou que tenha havido problemas na operação. Segundo a companhia, a situação é normal e já era esperada: "Com a inclinação da docagem, é natural que alague a popa, que, com a subida, volta ao normal. Hoje (domingo) já subiu mais um pouco, e assim é a operação", informou.

Ainda de acordo com a empresa, o nível muito baixo do rio acentua a inclinação da rampa, fazendo com que o procedimento seja mais demorado. "Prezamos para que a operação seja executada com segurança para as pessoas e para o navio", destacou.

A reportagem procurou o Iepha e aguarda um retorno.

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