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Jornalista critica Fernando Pimentel por defender empresa e dizer que barragens eram seguras


Jornalista critica Fernando Pimentel por defender empresa e dizer que barragens eram seguras


 

A afirmação do governador Fernando Pimentel, do PT, (foto) durante entrevista coletiva no domingo (08/11), em Mariana, de que as barragens da mineradora Samarco que se romperam no distrito de Bento Rodrigues eram seguras causou indignação no jornalista Ricardo Boechat, da Band News. Pelo menos 26 pessoas continuam desaparecidas depois da tragédia, considerada o maior acidente ambiental da história de Minas Gerais.

O jornalista condenou a defesa da empresa feita pelo governador petista, afirmando que a atitude é imprópria para uma autoridade pública. “Quando pouco porque recebeu dinheiro dela na campanha eleitoral”, disse Ricardo Boechat no comentário veiculado pela emissora de rádio nessa segunda-feira (09/11).

“Eu entendo que o presidente da empresa dê uma entrevista coletiva dizendo isto tudo. Mas ele (Fernando Pimentel)? O mínimo que ele tem que dizer é o seguinte: Olha, embora estivesse certificada a represa, nós vamos analisar novamente porque algo aconteceu e não estava previsto. Não podia estar, né governador?!”, questionou o jornalista.

Mais de 62 milhões de metros cúbicos de rejeitos e água foram despejados sobre a região. Bento Rodrigues foi o mais atingido e os mais de 600 moradores foram retirados. A onda de lama atingiu ainda outras comunidades, como Paracatu de Baixo e Camargos, e a cidade de Barra Longa.

O tsunami de lama seguiu para os municípios de Ponte Nova, Nova Era, Antônio Dias, Coronel Fabriciano, Timóteo, Ipatinga, Governador Valadares, Tumiritinga, Resplendor, Galileia, Conselheiro Pena e Aimorés, em Minas Gerais, e também pelas águas do Rio Doce vai atingir Baixo Guandu, Colatina e Linhares, no Espírito Santo.

Confira, abaixo, transcrição do comentário do jornalista Ricardo Boechat na rádio Band News.

“Ele pode falar contra os procedimentos de fiscalização do estado porque ele é o governador. É o chefe das equipes que realizam estes trabalhos de fiscalização, de monitoramento. Mas é impróprio ele ficar fazendo um discurso de defesa da empresa. Quando pouco porque recebeu dinheiro dela na campanha eleitoral. Num momento como este, as pessoas perderam tudo, os prejuízos ambientais são incalculáveis, a região está desfigurada. Não voltará a ser o que era. Os rios mudaram de curso, os vales foram varridos do mapa. Então fica o governador dizendo que essas barragens eram seguras. Se eram seguras porque romperam? Ou melhor, a de baixo que era menor rompeu sob o peso da de cima, que era maior e foi rompida antes e carregou tudo. Mas a de cima rompeu por que? Então, o governador fica emprestando sua autoridade para ficar fazendo uma defesa da empresa que compete a empresa. Eu entendo que o presidente da empresa dê uma entrevista coletiva dizendo isto tudo. Mas ele? O mínimo que ele tem que dizer é o seguinte: Olha, embora estivesse certificada a represa, nós vamos analisar novamente porque algo aconteceu e não estava previsto. Não podia estar, né governador?! Então, é incrível como uma autoridade pública arrolha-se na tarefa de defender uma empresa que está sob suspeita de ter cometido um erro. Algum erro aconteceu porque senão a represa estava lá até agora.”

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