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Aécio acredita que arrogância do governo deva diminuir a partir de agora

Entrevista do senador Aécio Neves (PSDB/MG) sobre saída de Antonio Palocci.

Como o senhor avalia essa decisão anunciada hoje, a saída do ministro?
O ministro tomou a decisão sensata. Ele percebeu, com a experiência que tem, que estava criando dificuldades intransponíveis para o governo. Não comemoro, é da minha natureza, episódios como esse.. Mas acho que a decisão foi correta. É preciso, de um lado, que o governo seja ágil na recomposição da sua articulação política no Congresso, e que o governo não confunda uma eventual maioria que tenha, com a capacidade de atropelar regimento, de atropelar a minoria. É preciso que desse episódio o governo tire ensinamentos. Entre eles, esse me parece essencial para o bom convívio democrático. A oposição é tão relevante na democracia como a situação. É preciso que a oposição seja respeitada. Acho que o momento da arrogância, o momento do atropelo por parte do governo, que norteou as ações até aqui, passou. Acho que o governo, com mais humildade, será talvez até mais eficiente. Vamos continuar fazendo o combate político e, tomara que no campo ético, isso sirva de exemplo também para que quem faça vida pública tenha os cuidados que os homens públicos devem ter com as suas atividades privadas para que, independentemente, de uma ação pontual elas não sejam, pela opinião pública, confundidas. O público e o privado devem ser indissociáveis para quem pratica a vida pública.

O afastamento do ministro coloca um ponto final nesse caso ou o senhor acha que ainda há explicações a serem dadas pelo ministro, esclarecimentos sobre o caso?
Do ponto de vista político, obviamente há um encerramento. Mas, do ponto de vista jurídico, a Procuradoria do Distrito Federal certamente vai ouvi-lo ainda, vai investigar se houve, eventualmente, tráfico de influência. Vamos, enquanto partido, enquanto oposição, buscar tomar uma oposição conjunta. Vamos discutir ainda nesta terça e na manhã de quarta-feira qual o caminho que vamos tomar em relação a tudo que estava estabelecido para essa quarta-feira, inclusive a convocação do ministro na Comissão de Constituição e Justiça. Mas, obviamente, com esse fato, é preciso que possamos rever nossa posição e nossa estratégia.

Senador, os senhores estavam próximos de conseguir convocar o ministro aqui no Senado. O senhor acredita que o medo de uma CPI pode ter acelerado essa decisão?
Acho que o ministro, com a experiência que tem, tomou a decisão sensata. Percebeu que o governo, que já estava imobilizado há três semanas, continuaria imobilizado e existiria sim o risco de uma convocação ou até mesmo da criação de uma CPI, cujas assinaturas estavam quase sendo alcançadas. Certamente, isso pode ter, ao lado da avaliação que ele faz, de que estava criando já problemas para o governo, pode ter ajudado na sua decisão, do ponto de vista do governo, era o esperado.

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